20 anos de Manifesto Ágil
O manifesto que mudou a forma como pensamos projetos de software e muito mais completa duas décadas de existência e permanece atual e necessário





Photo by David Travis on Unsplash
Uau! Passou rápido. O que significa o aniversário de 20 anos do Manifesto Ágil? Ele ainda é útil e necessário? Adiantamos: sim. Após 20 anos ainda é possível notar a potência e relevância dos princípios e valores do manifesto no nosso contexto de mundo cada vez mais complexo, incerto e de mudanças exponenciais.

Uau! Passou rápido. O que significa o aniversário de 20 anos do Manifesto Ágil? Ele ainda é útil e necessário? Adiantamos: sim. Após 20 anos ainda é possível notar a potência e relevância dos princípios e valores do manifesto no nosso contexto de mundo cada vez mais complexo, incerto e de mudanças exponenciais.

De 11 a 13 de fevereiro do longínquo ano de 2001, grandes nomes do desenvolvimento de software como Martin Fowler, Ken Schwaber e Jeff Sutherland se reuniram em um resort nas montanhas de Utah, Estados Unidos, para mudar de vez a forma como o mundo construiria produtos. Um dos motivadores da reunião era ressignificar o conceito de sucesso em projetos. Até aquele momento, a métrica de sucesso utilizada era baseada apenas em prazo, custo e escopo. Ou seja, se um projeto falhou, a causa foi a falta de planejamento ou de detalhamento dos requisitos. Essa mentalidade gerou um círculo vicioso que fazia com que 2/3 do tempo dos projetos fossem investidos em detalhamento e planejamento sem que uma única linha de código tivesse sido escrita ou qualquer valor fosse gerado para o usuário.

Na perspectiva proposta pelo manifesto, tudo começa com o "por quê", e é ele que define os 4 valores do ágil:

Estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver

software, fazendo-o nós mesmos e ajudando outros a

fazerem o mesmo. Através deste trabalho, passamos a valorizar:


Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

Software em funcionamento mais que documentação abrangente

Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos

Responder a mudanças mais que seguir um plano


Ou seja, mesmo havendo valor nos itens à direita,

valorizamos mais os itens à esquerda.

Mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à esquerda


Colocar os indivíduos e as interações, o cliente e o contexto sujeito à mudanças no centro do projeto catalisou várias discussões de natureza agilismo vs. métodos waterfall. Entretanto, essas discussões derivaram na falta de entendimento sobre a proposta do manifesto e da baixa maturidade das pessoas na época em que foi divulgado: os adeptos de waterfall enxergavam o ágil como "vai lá e sai fazendo" e os adeptos do Manifesto Ágil faziam piada de qualquer projeto que exigisse um mínimo de documentação ou de planejamento.

Como sabemos hoje, os dois lados estavam enganados, visto que faltou o entendimento da parte do manifesto que afirma "Mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à esquerda". O Manifesto Ágil nunca dispensou os itens à direita, ele apenas direcionou o foco e a prioridade para os itens à esquerda. Para facilitar a compreensão, falaremos de cada um dos valores de um ponto de vista mais prático.


Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

Para a gente aqui na L3, esse é mais do que um valor do Manifesto Ágil: é uma filosofia moderna de gestão. Processos e ferramentas devem ser vistos como habilitadores e não como restrições ao bom trabalho das equipes. Quando você tem uma ou mais equipes talentosas, você não precisa de processos para que elas façam coisas incríveis: elas farão coisas incríveis independentemente deles. Isso nem de longe afasta a necessidade de processos, mas faz a gente pensar em processos necessários, aqueles que estão ali para proteger o que é crítico, e não como um meio de limitar as pessoas. Por exemplo, uma campanha de Marketing que expõe a marca da organização necessita de um nível de escrutínio e de aprovação maior do que a compra de canetas e materiais de escritório para um workshop interno de cocriação.

O mesmo cuidado se aplica à escolha das ferramentas. A regra é a mesma: as ferramentas devem ser habilitadoras e não limitadoras. O Scrum, por exemplo, é um framework com poucas regras e prescritivos e que pode ser a melhor alternativa a ferramentas e metodologias que envolvem papéis, processos complexos, etc.


Software em funcionamento mais que documentação abrangente

Embora o manifesto tenha nascido no contexto de desenvolvimento de software, sua relevância e contribuição já ultrapassaram as fronteiras da Tecnologia da Informação e hoje serve de referência para a filosofia de gestão de outras áreas da empresa.

Este valor não dispensa o uso de documentação, mas recomenda que somente aquilo que é de fato útil seja documentado. Comentamos acima que um projeto típico de software ocupava 2/3 de todo o tempo produzindo documentação, planos, fluxogramas, diagramas etc. É como se o projeto existisse para produzir documentação primeiro e só depois gerar algo de valor. Para nós, este princípio existe para lembrar as equipes, seja de software ou não, que o projeto deve produzir um benefício, a solução de um problema para alguém e que o foco deve sempre estar nisso. Documentação é importante? Claro! Mas todas, nos mínimos detalhes? Não sabemos, por isso é importante sempre avaliar e lembrar da necessidade de buscar progresso concreto, entregar valor gerado, ver o usuário testando e validando as hipóteses de valor ou de negócio e tudo isso com suporte da documentação necessária e nada além disso. A documentação não é o fim que se busca, mas sim o valor para o cliente.



Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos

Na época do Manifesto Ágil, a relação das áreas de negócio com a área de TI era uma relação quase contratual. Havia requisitos, acordos de nível de serviço, premissas, etc. Era como se as duas áreas tentassem se proteger uma da outra. Nas reuniões, era comum ouvir: "Você especificou assim, e eu desenvolvi o que você pediu" e a outra parte "Mas quem entende de software é você, não eu" e por aí vai.

Este valor implica as equipes de forma horizontal na cadeia de valor como um todo para o cliente, e não na missão atribuída ao seu silo. Em ambientes colaborativos onde todos são responsáveis pela entrega de valor, estas relações "contratuais" são resumidas a um conjunto básico de regras e todo o resto funciona com base em confiança e bons relacionamentos.

Quando a relação contratual é com um fornecedor externo, o contexto parece ser diferente mas baseia-se nos mesmos princípios de colaboração e confiança (ou você faria um contrato com um parceiro ou fornecedor em quem não confia?) Nessa relação, contratos são necessários mas em vez de serem mecanismos mútuos de proteção, podem tornar-se mecanismos de construção de relacionamentos.

Responder a mudanças mais que seguir um plano

Este valor talvez seja o mais atual e necessário de todos. No contexto VUCA, BANI ou ambos, desenvolver projetos com base em detalhamentos e planejamentos que buscam reduzir a incerteza a níveis "seguros" é, cada vez mais e com o perdão pela franqueza, uma grande perda de tempo. Já diz a célebre frase "Planejamento é imprescindível. Planos são inúteis".

Tentar criar um ambiente ordenado e categorizável é impossível não por falta de competência, mas porque estamos em um mundo em constante mudança, onde hipóteses devem ser testadas e onde as certezas são cada vez mais raras. Então, é importante que saibamos onde queremos chegar com a nossa organização, com nossos produtos e com nossas carreiras, mas predizer como será o caminho é impossível. Aqui, o que funciona é ter humildade e dar o salto de fé proposto pelo empirismo.


Nossa conclusão é que a discussão em torno do Manifesto Ágil só reforça que, independentemente da ferramenta, do framework, etc., o fundamental é entender os princípios e valores e encontrarmos o nosso tom no que diz respeito à adoção da agilidade. O Manifesto Ágil completa 20 anos e, sim, segue poderoso e extremamente relevante na realidade atual.

Se você ainda não teve a chance de ler o Manifesto na íntegra, acesse-o por meio do link abaixo:

https://agilemanifesto.org/


Esperamos que tenham aproveitado o nosso ponto de vista sobre o aniversário de 20 anos do Manifesto Ágil. Queremos saber os seus comentários pelas nossas redes sociais.

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20 anos do Manifesto Ágil




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